A ROSA DO CASARÃO. (mini conto)

O  velho casarão da Bernardo Vieira amanhecera lindo, pintado e ornamentado, não dava para esconder que algo especial estava para acontecer, A rua larga e empoeirada, parecia querer se esconder ante à imponência do velho sobrado caprichosamente bem cuidado, um verdadeiro encanto. Corria o ano de 1948 no casarão morava Rosa, filha única do coronel Mendonça, criador de gado e beneficiador do pó da palha da carnaubeira. Latifundiário poderoso, Mendonça tinha verdadeira adoração por Rosa e estava abrindo o casarão naquele dia para festejar  os quinze anos da sua  menina-moça, e cedo aguardava o padre, para abençoar o dia da festa, que ele planejou ser inesquecível, seria a apresentação formal de Rosa à sociedade local, com tudo que ela tinha direito. A linda e tímida Rosa assistia a tudo em silêncio, não escondendo a sua timidez.

O jovem seminarista, recém  chegado à cidade, enviado pela sua missão para iniciar um trabalho de evangelização, e que passava no local, foi atraído pela movimentação intensa em frente à luxuosa residência e deu uma ‘encostadinha’  para ver do que se tratava, quando viu Rosa pela primeira vez. Foi como se um raio o tivesse atingido, a beleza da moça, chamou a sua atenção, e o seu olhar se fixou, na beleza estonteante da menina, e um brilho diferente surgiu como por encanto. Rosa o viu só por um momento, o suficiente para sentir uma sensação estranha, mas gostosa, sentiu por um momento mínimo o peso daquele olhar, e teve certeza que gostaria de velo de novo. … (Continua)

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DONA CHIQUINHA, (MINHA MÃE)

11700945_993600140650083_4422693995826401754_nFrancisca Maria Ferreira, Dona Chiquinha,  assim que era conhecida a minha mãe, nascida no ano de 1915 no sertão do Caraú, à época município de Santana do Mato, numa família numerosa e extremamente pobre, casou com meu pai que também nada tinha, e com ele foi mãe 23 vezes, 23 dores, 23 amores. Fugiu da fome no sertão, e veio pro litoral já trazendo 05 filhos, aliás eram 05 filhas, Dasdores, Luíza, Dalva, Docarmo e Delurdes, todas Marias, já no litoral em Areia Branca, década de 40, vieram outros filhos. Pequena, valente, trabalhadora e dona de uma personalidade muito forte, conseguiu salvar e criar 10 dos 23 filhos que gestou. Quase sem comida, sem remédios, sem hospitais, sem médicos, uma guerreira, uma heroína, uma mulher, uma mãe, 23 vezes mãe, 10 vezes vencedora.

Dona Chiquinha de Chico Vicente, além de mãe,  (e apesar de tudo) ainda sabia e podia ser mulher e amante, e nunca a vi reclamar da vida, nem achar que não iria conseguir. deixou para às suas sete Marias e seus três Franciscos, um legado de coragem e honestidade. Hoje, somos apenas 05, mas preservamos à sua lembrança nos nossos corações. Obrigado mamãe, por tudo o que nos deu, e desculpe por tudo o que não conseguimos lhe dar.

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ENERGIA DOS VENTOS

Lembro perfeitamente, apesar de fazer um bom tempo, décadas posso dizer, que aqui em Areia Branca, alguém teve a ideia  de conseguir energia elétrica usando à força dos ventos. Foi exatamente num lugar que já não existe por ter sido ocupado pela salina NORSAL, onde existia uma pequena rua bem de frente a um caminho de terra batida que levava à praia de Upanema, esse local hoje está inundado por um dos cristalizadores da salina. nesse local, morava a família de Dedé de Silva, motorista do caminhão que fazia a coleta do lixo na cidade, a casa dele era a maior que havia na pequena rua, que fazia parte do “bairro”  Tabaco Ventoso, também pudera, “seu Dedé” como o chamavam, tinha muitos filhos.

Pois bem, ele era o único homem em Areia Branca na época que gozava mesmo de forma limitada, do prazer de ter energia elétrica em casa. como era “engenhoso” construiu um cata-vento, que acoplado à um dínamo, carregava uma bateria de caminhão, que era suficiente para acender algumas lâmpadas e fazer funcionar um velho rádio sem que ele tivesse qualquer despesa a não ser o cuidado com a manutenção da bateria. Hoje, quando transito pela nossa zona rural, e contemplo os gigantescos aerogeradores, girando ao sabor dos ventos, enquanto geram energia, usando basicamente o mesmo princípio, fico imaginando, como é criativo o nosso povo, o que lhes falta na verdade é acesso à educação.

 

 

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O DIA EM QUE “PELA-PAU” CAIU NO FREVO

Década de 60, mais precisamente 1967, Areia Branca Rio Grande do Norte dia 31 de dezembro, na cidade não se falava noutra coisa, senão no grande reveillon do Iwipanin Club. Essa festa era uma das mais movimentadas entre às que formavam o calendário anual do velho sodalício da rua João Félix , era uma festa que reunia a nata d sociedade areia-branquense, e para la convergiam todas as atenções, era o primeiro grande grito de carnaval.

Mas, considerando o título da nossa crônica, o que tem a ver tudo isso com o nosso Pela-pau? pois bem, Pela-pau era o apelido de Barnabé, um dos filhos do pescado João Ferreira também conhecido popularmente por João Pela-pau, Barnabé era evangélico e assistia na Igreja Batista Regular, e junto comigo, com Toínho de Jueira, e Augusto de dona Martinha, formava um quarteto que sempre estava pronto para executar qualquer tarefa, que tanto podia ser cantar, como pregar, evangelizar, ou qualquer outra tarefa que nos  fosse confiada.

Pois bem, naquele dia, a igreja estaria reunida até a madrugada para esperar o novo ano, e depois, seria servido um jantar (ceia) para todos os fiéis, e para tanto, os irmãos tinham combinado cada família trazer um prato. Pouco antes da meia noite a irmã Josina (mãe de Violeta) pediu ao quarteto fantástico para ir à sua residência buscar o prato que ela havia preparado para a ceia, Fomos o mais rápido que pudemos, e fatalmente tivemos que passar na João Félix, bem do lado do Iwipanim, no exato momento em que a orquestra atacou freneticamente o frevo do Zé Pereira, ao som estridente dos metais, Pela-pau caiu no frevo bem no meio da rua e saiu frevando, enquanto nós quase morremos de rir.

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COM ASSU E COM AFETO

Reconheço que estou plagiando o slogan de uma antiga administração municipal da cidade do Assu, mas não encontrei título melhor para falar dessa cidade doce, que é puro afeto. Desde que o então governador da província do Rn. Bernardo Vieira de Melo em abril de 1696 estabeleceu na região o Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres, estava definido, que naquele local, ainda habitado por índios, haveria de nascer uma cidade voltada para o futuro que seria orgulho para o povo norte-riograndense. morei em Assu na década de setenta, e voltei a morar na década de oitenta, hoje estou distante já à alguns anos, mas confesso que é muito difícil esquecer dessa terra boa, e de gente ainda melhor.

Houve um tempo, em que eram tantos os seus poetas, e tão bons, que Assu era conhecida e chamada de Atenas norte-riograndense, terra dos poetas, e talvez pelo fato de ter morado ali, até hoje me arrisco a rabiscar algumas maus traçadas linhas, me aventurando nos versos e rimas, ainda bafejado pela brisa que desce do Piranhas/Assu nas madrugadas do vale e envolto pela tradição e  história daquele povo que transpira poesia e é viciado na cultura. Tenho uma paixão adormecida que vez por outra desperta com a força do vesúvio, aí me vêm as lembranças das suas ruas, das suas praças, dos seus becos. suas oiticicas, carnaubeiras,  barragens, e açudes, o cemitério centenário, seus pássaros, sua feira sua gente e seus costumes e principalmente a sua poesia. Sim, Assu é assim, moderna e provinciana ao mesmo tempo, em plena época da informática o amor caminha pelas ruas, enquanto a lua ilumina os bêbados e boêmios nas madrugadas. Por isso peço permissão ao velho político que hoje deve estar aposentado como eu, para usar a frase por ele criada, sempre que lembro dessa terra querida  me sinto assim, COM ASSU E COM AFETO.

 

 

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OS CANARINHOS (O REI DADÁ)

A pelada de todas às tardes na quadra da Escola Técnica Profa. Geralda Cruz era absolutamente sagrada. pelo menos dois grupos de cinco compareciam depois das quatro para correr atrás da bola pequena ou da bola pesada, como chamávamos a antiga bola de jogar futsal, (futebol de salão na época), Às nossas tardes, eram uma festa só. de um lado, o professor Ferreira, Pedro Neto, Dario (o rei Dadá), Carlinhos Motorzinho, e Celso no gol do outro lado, Queline, Pimentinha, Ari,  Champirra ou seu Antonio, como ele preferia ser chamado, um goleiro e pronto, estavam formados os times, praticamente todos os dias tenha que haver um perrengue, mais no final, todos se confraternizavam e já marcavam encontro para o dia seguinte.

Foi assim que nasceu O CANARINHOS, time que virou clube e se não me engano até hoje existe como forma de juntar velhos amigos e ex atletas, dentre eles, o nosso querido prof Dario Saraiva o eterno rei Dadá que segue fazendo um excelente trabalho entre à meninada com a sua escolinha de futebol que tem tirado das ruas, dezenas, talvez centenas de crianças e até revelado alguns valores da terra para o chamado esporte bretão. Pena que o nosso rei Dadá, não tenha recebido ainda,o valor que merece. Aqui desse www.momentoab.com.br  parabenizo Dario pelo excelente e desinteressado trabalho que realiza.

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JOÃO DOIDO, UM SONHADOR!

Claro que João era doido, disso ninguém tinha a menor dúvida, vivia sozinho, falava sozinho, chorava  e sorria ao mesmo tempo, declamava belos poemas guardados no recôndito das suas melhores lembranças, e fazia longas caminhadas pelas nossas praias, sempre conversando com uma mulher que só existia na sua imaginação. Era assim o nosso João Doido, ou João Redondo, como muitos o chamavam. João, quando se apegava a alguém, era de uma fidelidade canina, na praia de Upanema, onde passava a maior parte do seu tempo, era fiel amigo de Barroso do peixe, que sempre lha dava cigarros, de “seu” Zé Brasil, que por educação conversava com ele em algumas caminhadas na praia, e também era amigo de um  adolescente, curioso que vivia a lhe perguntar sobre a sua vida, esse adolescente era eu, que na época ajudava Barroso meu cunhado, vendendo mantimentos para os pescadores do Ceará que ficavam dias no nosso litoral, pescando,vendendo o peixe e nós fornecíamos, os mantimentos que eles levavam para o mar.

Um belo dia, João passou na praia com uma pequena sacola pendurada nas costas, – Vai para onde João? – Quis saber! a resposta veio imediata, – Vou para Macau, – assim a pé? quis saber, sim me disse, amanhã eu volto, e foi!  João era assim mesmo, Poeta, sonhador, um louco apaixonado pelo mar, pela lua e por uma bela mulher que só ele via e conhecia. mas que  me garantiu que era linda. João viveu em Areia Branca  até a década de 60, depois, sumiu, não sei onde morreu, nem se foi sepultado, talvez numa dessas viagens, para Macau, ouviu o doce chamado da sua amada em uma madrugada qualquer e entrou no mar para cair nos seus braços , realizando assim a sua fantasia..

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EU NASCI SOZNHO

Quarta feira 16 de maio de 1951, o bairro Ilha era apenas um arruado de casas de taipa, cobertas na sua maioria  com palhas de coqueiro, pois foi numa dessas casas que eu nasci. minha mãe, veterana na arte de parir, mesmo estando “esperando” a qualquer momento a chegada de mais um, liberou às “meninas” minhas irmãs, para que fossem ao enterro de um bebê, da nossa vizinha. Na tarde daquele dia, quando o enterro saiu, a minha mãe entrou em trabalho de parto, como ela já tinha larga experiência nesse assunto, achou que poderia dar uma segurada, e esperar a volta das meninas para mandar chamar a parteira.

Enquanto isso, meu pai descarregava um bote que chegara do Ceará carregando cocos e mangas coités que posteriormente seriam vendidos e consumidos em nosso comércio, aliás antes da construção da estrada (Br-110) esse tipo de transporte, era comum. Suado e molhado, (já que precisava entrar na água até a cintura) meu pai ficou surpreso ouvindo alguém chama-lo, e ao atender, mais surpreso ainda, já que era um homem a quem não conhecia, e que à primeira vista nunca vira antes, deste, recebeu a informação que deveria ir para casa, levando a parteira a mãe Soledade. Sem discutir, “Seu Chico” foi para casa. levou a parteira, e quando chegou, eu acabara de nascer, a parteira apenas procedeu o encerramento do procedimento. NOTA, O desconhecido nunca mais foi visto, e por mais que fosse procurado para agradecer, meu pai não o encontrou. pois hoje sou eu quem pergunta, será que EU NASCI SOZINHO?

 

 

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TAMIGA X PUXADINHO

Miguel, conhecido pelos amigos como TAMIGA, era um deficiente físico que nasceu e viveu em Areia Branca nas décadas de 40 à 70, mais ou menos, como tinha às pernas atrofiadas e voltadas para trás a partir dos joelhos, aprendeu andar com as mãos no chão, e exercia a profissão de artesão sapateiro. Como o seu “normal” era viver sentado, mesmo quando andava, não media mais que um metro de altura. desde menino Tamiga, ou Miguel como queiram, participava de todas as brincadeiras junto com a meninada, tomava banho na maré, banho de chuva, brincava de tica, de batalhão e acreditem, brigava quando desafiado e jogava futebol, para ele, às regras eram diferentes, o conhecido e proibido toque, (quando a bola toca na mão) nele, o toque era quando a bola tocava nos seus pés. Era no mínimo interessante velo jogar no meio dos marmanjos.

Um belo dia Antonio Batista, O PUXADINHO, vascaíno e sapateiro como Miguel, decidiu criar o VASCO DA GAMA em Areia Branca e começou escolher e convidar os atletas para fazer parte do time, e imaginem, não convidou Tamiga que de imediato se sentiu ressentido com desfeita do amigo, e passou a fazer comentários na sapataria (oficina) onde os dois trabalhavam, sabedor que Miguel estava fazendo tais comentários, Puxadinho foi à ele e quis saber o motivo, Amigo, por que você anda falando de mim? quis saber Puxadinho. ignorante e mal criado, Tamiga não se fez de rogado, fiquei chateado, por não ter sido convidado para jogar no seu time! e o Puxadinho quis contemporizar, amigo, a liga não aceita pessoas como você serem escritas, Miguel retrucou, e você, vai ser o que? quis saber. Puxadinho respondeu, vou ser o treinador. já perdendo a paciência Miguel foi ferino, grande merda, com essa asma, você não consegue nem ser treinador de galo de briga. – Resultado – Claro que Miguel não jogou no time, mas para se vingar, passou a torcer pelo flamengo.

NOTA; – Homenageio assim esses dois guerreiros, ambos meus amigos queridos que já partiram.

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OS TREPIDANT’S

Não me lembro com exatidão o ano nem o mês, mas posso garantir que essa data indefinida, foi na década de oitenta quando estava terminando o ensino médio na Escola Profa. Geralda Cruz, então chamada de Escola Técnica Comercial, e participei da criação do Centro Cívico Ana de Sousa Rolim, sendo inclusive eleito em eleições diretas, primeiro presidente do referido centro. A nossa primeira ação como líder estudantil foi promover a criação de uma biblioteca, que ainda não existia na escola, iniciamos uma campanha de doações de livros, conseguimos com o diretor  Prof. José Jaime, uma sala para instalação, e elaboramos uma campanha para angariar dinheiro para a compra de algumas estantes de aço, tivemos então a ideia de realizarmos uma festa na quadra da escola, depois de muitos disse-me-disse, resolvemos convidar o grupo pernambucano, TREPIDANT’S  que estava fazendo um sucesso danado cantando músicas em inglês.

Havia naquela época, uma febre por músicas em inglês, mesmo que fosse um inglês, com forte sotaque nordestino, todos gostavam e cantavam, REMEMBER ME, TAKE ME BACK, e outros sucessos do grupo faziam a alegria da rapaziada e da moçada. Contratamos o grupo, cuidamos da divulgação, conseguimos alguns patrocínios e pronto, a festa bombou, quadra lotada, gente saindo pelo ladrão, tanto havia gente na quadra, como nos corredores e até algumas salas de aula foram liberadas para a galera dançar, só que o melhor, ainda estava por vir. Eram poucos em Areia Branca que já tinham visto o uso de gelo seco para produzir fumaça, e os TREPIDANT’S,  no auge da fama, não poderiam deixar de mostrar essa técnica que tornava o seu show mais bonito, e aí, eles deixaram escapar uma grande quantidade de fumaça, que com a pouca iluminação do local, deixou muita gente sem saber o que estava acontecendo, até que alguém gritou; FOOGGOO!!! O pandemônio estava feito, o corre corre foi geral, gritos, choro, desmaios, todos querendo sair ao mesmo tempo, uma só saída, mas em menos de cinco minutos o colégio estava vazio, os membros do conjunto, só depois é que vieram saber o que estava se passando, foi um vexame. refeitos do susto, todos voltaram, foram apresentados oficialmente ao cospe fumaça, e a festa seguiu até a madrugada.

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