JOÃO DOIDO, UM SONHADOR!

Claro que João era doido, disso ninguém tinha a menor dúvida, vivia sozinho, falava sozinho, chorava  e sorria ao mesmo tempo, declamava belos poemas guardados no recôndito das suas melhores lembranças, e fazia longas caminhadas pelas nossas praias, sempre conversando com uma mulher que só existia na sua imaginação. Era assim o nosso João Doido, ou João Redondo, como muitos o chamavam. João, quando se apegava a alguém, era de uma fidelidade canina, na praia de Upanema, onde passava a maior parte do seu tempo, era fiel amigo de Barroso do peixe, que sempre lha dava cigarros, de “seu” Zé Brasil, que por educação conversava com ele em algumas caminhadas na praia, e também era amigo de um  adolescente, curioso que vivia a lhe perguntar sobre a sua vida, esse adolescente era eu, que na época ajudava Barroso meu cunhado, vendendo mantimentos para os pescadores do Ceará que ficavam dias no nosso litoral, pescando,vendendo o peixe e nós fornecíamos, os mantimentos que eles levavam para o mar.

Um belo dia, João passou na praia com uma pequena sacola pendurada nas costas, – Vai para onde João? – Quis saber! a resposta veio imediata, – Vou para Macau, – assim a pé? quis saber, sim me disse, amanhã eu volto, e foi!  João era assim mesmo, Poeta, sonhador, um louco apaixonado pelo mar, pela lua e por uma bela mulher que só ele via e conhecia. mas que  me garantiu que era linda. João viveu em Areia Branca  até a década de 60, depois, sumiu, não sei onde morreu, nem se foi sepultado, talvez numa dessas viagens, para Macau, ouviu o doce chamado da sua amada em uma madrugada qualquer e entrou no mar para cair nos seus braços , realizando assim a sua fantasia..

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EU NASCI SOZNHO

Quarta feira 16 de maio de 1951, o bairro Ilha era apenas um arruado de casas de taipa, cobertas na sua maioria  com palhas de coqueiro, pois foi numa dessas casas que eu nasci. minha mãe, veterana na arte de parir, mesmo estando “esperando” a qualquer momento a chegada de mais um, liberou às “meninas” minhas irmãs, para que fossem ao enterro de um bebê, da nossa vizinha. Na tarde daquele dia, quando o enterro saiu, a minha mãe entrou em trabalho de parto, como ela já tinha larga experiência nesse assunto, achou que poderia dar uma segurada, e esperar a volta das meninas para mandar chamar a parteira.

Enquanto isso, meu pai descarregava um bote que chegara do Ceará carregando cocos e mangas coités que posteriormente seriam vendidos e consumidos em nosso comércio, aliás antes da construção da estrada (Br-110) esse tipo de transporte, era comum. Suado e molhado, (já que precisava entrar na água até a cintura) meu pai ficou surpreso ouvindo alguém chama-lo, e ao atender, mais surpreso ainda, já que era um homem a quem não conhecia, e que à primeira vista nunca vira antes, deste, recebeu a informação que deveria ir para casa, levando a parteira a mãe Soledade. Sem discutir, “Seu Chico” foi para casa. levou a parteira, e quando chegou, eu acabara de nascer, a parteira apenas procedeu o encerramento do procedimento. NOTA, O desconhecido nunca mais foi visto, e por mais que fosse procurado para agradecer, meu pai não o encontrou. pois hoje sou eu quem pergunta, será que EU NASCI SOZINHO?

 

 

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TAMIGA X PUXADINHO

Miguel, conhecido pelos amigos como TAMIGA, era um deficiente físico que nasceu e viveu em Areia Branca nas décadas de 40 à 70, mais ou menos, como tinha às pernas atrofiadas e voltadas para trás a partir dos joelhos, aprendeu andar com as mãos no chão, e exercia a profissão de artesão sapateiro. Como o seu “normal” era viver sentado, mesmo quando andava, não media mais que um metro de altura. desde menino Tamiga, ou Miguel como queiram, participava de todas as brincadeiras junto com a meninada, tomava banho na maré, banho de chuva, brincava de tica, de batalhão e acreditem, brigava quando desafiado e jogava futebol, para ele, às regras eram diferentes, o conhecido e proibido toque, (quando a bola toca na mão) nele, o toque era quando a bola tocava nos seus pés. Era no mínimo interessante velo jogar no meio dos marmanjos.

Um belo dia Antonio Batista, O PUXADINHO, vascaíno e sapateiro como Miguel, decidiu criar o VASCO DA GAMA em Areia Branca e começou escolher e convidar os atletas para fazer parte do time, e imaginem, não convidou Tamiga que de imediato se sentiu ressentido com desfeita do amigo, e passou a fazer comentários na sapataria (oficina) onde os dois trabalhavam, sabedor que Miguel estava fazendo tais comentários, Puxadinho foi à ele e quis saber o motivo, Amigo, por que você anda falando de mim? quis saber Puxadinho. ignorante e mal criado, Tamiga não se fez de rogado, fiquei chateado, por não ter sido convidado para jogar no seu time! e o Puxadinho quis contemporizar, amigo, a liga não aceita pessoas como você serem escritas, Miguel retrucou, e você, vai ser o que? quis saber. Puxadinho respondeu, vou ser o treinador. já perdendo a paciência Miguel foi ferino, grande merda, com essa asma, você não consegue nem ser treinador de galo de briga. – Resultado – Claro que Miguel não jogou no time, mas para se vingar, passou a torcer pelo flamengo.

NOTA; – Homenageio assim esses dois guerreiros, ambos meus amigos queridos que já partiram.

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OS TREPIDANT’S

Não me lembro com exatidão o ano nem o mês, mas posso garantir que essa data indefinida, foi na década de oitenta quando estava terminando o ensino médio na Escola Profa. Geralda Cruz, então chamada de Escola Técnica Comercial, e participei da criação do Centro Cívico Ana de Sousa Rolim, sendo inclusive eleito em eleições diretas, primeiro presidente do referido centro. A nossa primeira ação como líder estudantil foi promover a criação de uma biblioteca, que ainda não existia na escola, iniciamos uma campanha de doações de livros, conseguimos com o diretor  Prof. José Jaime, uma sala para instalação, e elaboramos uma campanha para angariar dinheiro para a compra de algumas estantes de aço, tivemos então a ideia de realizarmos uma festa na quadra da escola, depois de muitos disse-me-disse, resolvemos convidar o grupo pernambucano, TREPIDANT’S  que estava fazendo um sucesso danado cantando músicas em inglês.

Havia naquela época, uma febre por músicas em inglês, mesmo que fosse um inglês, com forte sotaque nordestino, todos gostavam e cantavam, REMEMBER ME, TAKE ME BACK, e outros sucessos do grupo faziam a alegria da rapaziada e da moçada. Contratamos o grupo, cuidamos da divulgação, conseguimos alguns patrocínios e pronto, a festa bombou, quadra lotada, gente saindo pelo ladrão, tanto havia gente na quadra, como nos corredores e até algumas salas de aula foram liberadas para a galera dançar, só que o melhor, ainda estava por vir. Eram poucos em Areia Branca que já tinham visto o uso de gelo seco para produzir fumaça, e os TREPIDANT’S,  no auge da fama, não poderiam deixar de mostrar essa técnica que tornava o seu show mais bonito, e aí, eles deixaram escapar uma grande quantidade de fumaça, que com a pouca iluminação do local, deixou muita gente sem saber o que estava acontecendo, até que alguém gritou; FOOGGOO!!! O pandemônio estava feito, o corre corre foi geral, gritos, choro, desmaios, todos querendo sair ao mesmo tempo, uma só saída, mas em menos de cinco minutos o colégio estava vazio, os membros do conjunto, só depois é que vieram saber o que estava se passando, foi um vexame. refeitos do susto, todos voltaram, foram apresentados oficialmente ao cospe fumaça, e a festa seguiu até a madrugada.

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BEM QUE EU AVISEI!!

Acho que  fui o primeiro a advertir do grande perigo da utilização indiscriminada dos royalties do petróleo pagos pela Petrobrás. Sempre chamei a atenção para o fato de que esse tipo de recurso era passageiro, e que os altos valores à que tivemos direito, deveriam ter sido melhor aplicados, em uma política que nos possibilitasse ter dividendos no futuro. Infelizmente esse futuro chegou e sinto como se todo aquele dinheiro, (e olhem que não foi pouco) tivesse sido jogado pelo ralo, inclusive com boa parte dele, sendo “carregado” pela corrupção sem freios que presenciamos, bem debaixo dos olhos do povo.

Obras de fachada, super faturadas, fantasmas, mal construídas, inacabadas, e uma série de outras armadilhas administrativas, arquitetadas  com o objetivo de surrupiar o erário público, tendo em vista às muitas manifestações de enriquecimento que pudemos  observar em Areia Branca nos últimos anos. Agora os royalties praticamente se foram, e eu pergunto, ficou o que? ficou uma população se sentindo lesada diante de uma cidade desestruturada, cheia de buracos (concretos e abstratos) dívidas para com os credores e para com a população enganada e ainda vivendo uma crise nacional que leva a todos a apertar o cinto. Infelizmente, ainda somos obrigados a ouvir os responsáveis por essa situação vociferarem ameaças e arrotarem com hálito mal cheiroso promessas de voltar. voltar para onde e para que? Melhor seria se eles se recolhessem em reflexão e em orações pedissem perdão a Deus pelo grande mal que têm causado ao povo de Areia Branca. Não sou dono da verdade, mas assim penso, e assim escrevo.

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PAPAI VAI CASAR!!!

Os gêmeos pularam no barco como um furacão, e berrando  ao mesmo tempo diziam, desatraca, desatraca!! Até que foram interrompidos pela voz pausada do barqueiro, – calma meninos, a patroa está vindo aí. A patroa, era a noiva do jovem viúvo e pai dos gêmeos, pequeno empresário, bem sucedido e dono do sítio onde os meninos faziam a festa cada vez que vinham da cidade. oito anos de pura adrenalina, os pequenos não escondiam a sua aversão à futura madrasta, talvez em virtude da pouca idade da moça, que tinha apenas dezessete. O passeio na verdade, era mais uma tentativa do pai de aproximar os meninos da jovem.

Logo que todos se acomodaram no barco e o passeio começou, os meninos foram a luta, – e  então,  o que acha? perguntou um, areia demais para a carroça do velho, disse o outro, e os dois, falando ao mesmo tempo, iniciaram um diálogo enervante, “Já que ela tem, dois braços, duas pernas, dois peitos, tudo gêmeo como nós, seria justo se dividisse conosco.” a moça, totalmente sem graça, pediu ao barqueiro para voltar, enquanto os meninos sorriam dobrado, como se fora ensaiado. Tão logo o barco tocou no atracadouro, a jovem saiu em disparada, enquanto o pai dos meninos se aproximou para saber das novidades. “e então?” perguntou ao barqueiro, foi bom? enquanto os meninos saiam fazendo algazarra, o barqueiro respondeu, “sim, foi ótimo, para eles!

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O PEREGRINO!

O MEU NOME É SAUDADE, PELO MENOS FOI ISSO O QUE EU DISSE CERTA VEZ, A UM VELHINHO VIAJANTE NUMA ESTRADA DESERTA. CERTO QUE ME LIVRARA DELE, PROSSEGUI MEU CAMINHO ESTRADA À FORA, CAMINHEI DURANTE DIAS, FUI ATÉ ONDE PUDE, E MAIS NÃO FUI PORQUE ME DEPAREI COM UM ABISMO PROFUNDO, INCONFORMADO, VOLTEI. SIM, VOLTEI PELO MESMO CAMINHO,ATÉ QUE ENCONTREI NOVAMENTE O VELHINHO. O MESMO ROSTO ENRUGADO, ALGUNS POUCOS CABELOS ESBRANQUIÇADOS PELO TEMPO, E AQUELES OLHINHOS QUE PARECIAM VER A MINHA ALMA. —
E ENTÃO SAUDADE, FALOU ELE AINDA SEM DESTINO, OU JÁ SE ENCONTROU? ENCONTREI UM ABISMO E TIVE QUE VOLTAR! FALEI, POIS PROSSIGA NO CAMINHO DE VOLTA, QUANDO CHEGARES NO INÍCIO, ONDE COMEÇASTE A CAMINHADA, VERÁS QUE EXISTE UMA BIFURCAÇÃO, SEGUE PELO OUTRO CAMINHO, É MAIS ESTREITO E COM ALGUMAS DIFICULDADES, NO FINAL DELE, ENCONTRARÁS UMA CRUZ, ALI DEIXARAS DE SER SAUDADE E CERTAMENTE ACHARÁS O QUE PROCURAS. QUANDO QUIS AGRADECER A INFORMAÇÃO, O VELHINHO JÁ NÃO ESTAVA ALI, E SÓ VOLTEI A ENCONTRA-LO QUANDO COMPLETEI A JORNADA DO CAMINHO ESTREITO, POIS ELE ESTAVA LÁ. PERTINHO DA CRUZ, ENTÃO, VEIO AO MEU ENCONTRO, ME RECEBEU, E JÁ NÃO ME CHAMOU SAUDADE QUANDO DISSE, BEM VINDO PEREGRINO.

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MEU NOME É SAUDADE!

CAMINHANDO CERTO DIA POR UMA ESTRADA DESERTA, ENCONTREI UM VELHINHO, SUAS MUITAS RUGAS, QUASE ESCONDIAM OS SEUS OLHINHOS MIÚDOS, ANTIGOS, MAS AINDA CHEIOS DE BRILHO. – DONDE VENS? ME PERGUNTOU, NÃO VENHO, VOU, RESPONDI, PRÁ ONDE VAIS ENTÃO? INSISTIU, SEM DESTINO, DISFARCEI, DESCONFIADO COM ÀS MINHAS RESPOSTAS EVASIVAS, ELE ARRISCOU MAIS UMA PERGUNTA. – COMO TE CHAMAS? EU ME CHAMO SAUDADE RESPONDI, SAUDADE DE QUE? QUIS SABER, NÃO É SAUDADE DE QUE, MAS SAUDADE DE QUEM! TA BOM, DISSE ELE JÁ DEMONSTRANDO IMPACIÊNCIA, (COISA POUCO COMUM EM ALGUÉM COM TANTA EXPERIÊNCIA DE VIDA.) SAUDADE DE QUEM? QUIS SABER, SEM PENSAR DUAS VEZES, DISPAREI, SAUDADE DE MIM. É ISSO MESTRE, SAUDADE DE MIM. DEPOIS SEGUI O MEU CAMINHO, ENQUANTO O VELHINHO ME OLHAVA, DEVIA ESTAR PENSANDO.ESSE É UM MUNDO DE LOUCOS, E COM CERTEZA AÍ VAI MAIS UM.

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A JANELA

A última janela que ainda existia em nossa casa, mandei fechar à algum tempo, mandei tijolar por fora, mas mantive a janela de madeira pelo lado de dentro, pois ela foi “testemunha” de um fato no mínimo muito curioso. Morava em Santos SP na época do ocorrido. Quando recebi a notícia que o meu pai Chico Vicente estava muito doente, tratei de viajar para Areia Branca, viajei com minha esposa, minha irmã e meu cunhado, um outro irmão meu que também estava lá, não pode vir por se encontrar internado na Santa Casa de Misericórdia naquela cidade..

chegamos em Areia Branca e infelizmente pudemos constatar  que o meu velho pai estava mesmo muito doente, e ficava acamado exatamente no quarto da frente da casa, onde ficava a janela, sim a última que eu mandei fechar. Quando dissemos a ele que o meu irmão não tinha vindo por que estava internado, ele pediu que o levássemos até a janela que ele queria ver a rua, nós o ajudamos a ficar de pé, e ele  permaneceu nessa posição com o olhar parado e fixo num determinado ponto da rua, passados uns cinco minutos, pediu para voltar para a cama. No dia seguinte, faleceu.

voltamos para Santos e no final de semana seguinte à nossa chegada, fomos visitar o meu irmão que já havia recebido alta do hospital, e estava em casa. e sem que lhe contássemos nada em relação ao episódio da janela, ele disse que dia tal, hora tal, ainda no hospital, sonhara com o nosso pai, de pé, sem camisa, bem magrinho, na janela de casa, olhando fixamente em sua direção, verificamos depois, que o dia e a hora do sonho, coincidia exatamente com o fato presenciado por nós. Não me perguntem o que houve, não saberia explicar, como diria o velho Chicó (Auto da Compadecida) EU SÓ SEI QUE FOI ASSIM.

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AREIA BRANCA, E A VILA VIRA CIDADE

22 de outubro de 1927 o então governador  do Rio Grande do Norte, JOSÉ AUGUSTO BEZERRA DE MEDEIROS, assinou a lei 656, elevando à categoria de cidade às vilas sedes dos municípios  de Parelhas e Areia Branca. Emancipado desde fevereiro de 1892, o município de Areia Branca até 1927 ainda tinha como sede uma vila que em 22 de outubro daquele ano, foi elevada à categoria de cidade. Equivocadamente o município celebra 22 de outubro, como data da emancipação política, quando o correto seria festejar em 15 de fevereiro, a real data da emancipação no ano de 1892.

 

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